Sobre as maquetes

Regina Silveira

Costumo fazer inúmeras maquetes de trabalho, mas não as conservo. Elas são sempre de construção mais precária e funcionam como lugares em escala, para experimentações diversas. Quando todas as decisões foram tomadas e o trabalho está em execução na escala real, esses modelos, geralmente feitos em papelão, muitas vezes já nem existem mais.

Minha decisão de fazer maquetes que funcionem como memória e documento sempre esteve associada a certa aflição com a efemeridade. Construir estes modelos em escala foi sonhar a permanência de obras que eu, desde os anos 1980, projetava para espaços arquitetônicos específicos, inicialmente executados com pintura, e que via desaparecer, quase sempre em um par de meses.

Durante algum tempo, construí rigorosamente todas as maquetes na mesma escala, com o propósito de organizá-las um dia como retrospectiva em miniatura. Logo desisti da escala comum, sobretudo pelas dimensões mais extensas que os trabalhos tomaram no real.

Ultimamente, essas maquetes se restringem cada vez mais a obras associadas a arquiteturas específicas, porque esta ainda é a fatia de minha produção que persiste como majoritariamente efêmera. Mesmo que, com os anos, descobrisse a potencialidade das matrizes digitais para recriar o mesmo e fazer migrar imagens, estes trabalhos costumam viver apenas uma vez, pelas próprias circunstâncias que os convocaram. De qualquer forma, todas as maquetes, desde o início, mantiveram os mesmos objetivos: ser documento que sirva de memória do original, como obra miniaturizada. Elas podem ser construídas com bom intervalo de tempo depois da execução do trabalho, e algumas vezes são apenas memória de um projeto que não chegou a ser executado.